Outro dia, li uma entrevista de um candidato a senador, e o que me impressionou foi a maneira como ele vê esse momento de caos político e desilusão que vivemos como um subproduto da desigualdade entre os seres humanos. Desde então, comecei a questionar minha velha teoria de que com melhor “educação” encontraríamos a solução para os descaminhos do Brasil.

 

Agora vejo que a palavra-chave é “igualdade”, apesar de a “desigualdade” estar tão presente em nossa sociedade impedindo os que têm menos recursos materiais de fazerem as escolhas necessárias para o seu bem-estar.

 

Muitos brasileiros não podem escolher a qualidade de sua moradia, sua água, sua educação, sua saúde e sua segurança etc. Esses sem-escolha estão no coração de Deus e deveriam estar no nosso e no coração de toda a Igreja de Cristo, a cada dia, entre uma eleição e outra, e também ao fazermos as nossas escolhas para as próximas eleições.

 

Perturba-me o fato de ter aprendido, desde muito pequena, que a Bíblia diz que “não há judeu nem grego, escravo nem livre, pois todos são um em Cristo Jesus” (Gl 3:28). Quando eu coloco esse versículo fora do contexto das paredes da igreja, sabendo que em Deus não há parcialidade (Rm 2.11), pois Ele trata a todos com igualdade, criou ricos e pobres, busco então, nas verdades bíblicas que encontro na Palavra de Deus, como devo escolher meus candidatos.

 

Já decidi. Vou procurar características que agradam a Deus.

Será que isso é possível? Penso que sim, pois quero manter o otimismo em alta. Precisamos de mudanças para amenizar o caos que enfrentamos em todas as instâncias de poder em nosso país e por experiência já sabemos que Deus nos ouve e que Ele é bom e fiel. O Senhor está atento às necessidades dos que lhe pertencem. Será que estamos prontos a fazer a nossa parte?

 

Portanto, não votarei em quem:

• Tenha “ficha suja”
• Faça acusações falsas
• Espalhe mentiras no meio do povo (Lv 19:16)
• Procure agradar somente os poderosos
• Desconsidere os pobres e minorias (Tg 2:3,4; 2Co 8:13,14)

 

“Não estou querendo aliviar os outros e pôr um peso sobre vocês. Já que agora vocês têm bastante, é justo que ajudem os que estão necessitados. Em alguma outra ocasião, se vocês precisarem, e eles tiverem bastante, aí eles poderão ajudá-los. Assim todos são tratados com igualdade” (2 Coríntios 8:14 NTLH).

 

Retomando, nossa luta agora já não é mais pela educação, mas contra a “desigualdade” que tira de muitos o direito à educação e o direito de viver com dignidade. Quando nossa fartura, suprir as necessidades dos excluídos ou necessitados e/ou quando a fartura deles suprir as nossas necessidades, compreenderemos que pode existir entre os seres humanos a igualdade que agrada a Deus. Nos debates, nos jornais, nas exposições de ideias, vamos tentar descobrir quem luta pelo fim das desigualdades.

De autores do Pão Diário.