Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus… — Romanos 13.1

 

Qual o limite da obediência do cristão ao Estado? Existe um limite? Um cristão pode envolver-se na política? Podemos protestar?

Essas são apenas algumas das perguntas que temos quando refletimos sobre a questão da submissão cristã ao Estado. O versículo acima parece indicar que a submissão tem de ser irrestrita. Mas essa é a interpretação mais correta à vista de todo o contexto bíblico?

Como o apóstolo Paulo é o autor desse texto, vamos começar pelo exemplo dele. Em Atos 22 a 25, temos um caso de prisão injusta de Paulo em que ele apelou ao seu direito de cidadão romano. Ele poderia ter se submetido às autoridades, mas resolveu lançar mão de sua cidadania romana para evitar uma injustiça.

Em 2 Crônicas 10, vemos o povo de Israel perante o rei Roboão pedindo que os altíssimos impostos fossem reduzidos. O rei declinou do pedido do povo e o reino acabou por se dividir. E isso já estava predito por Deus (1 Reis 11:30-32).

Ainda no Antigo Testamento, vemos Ester buscando revogar um edito real que ordenava a morte de todos os judeus habitantes da Pérsia. E mais, profeta após profeta denuncia a improbidade administrativa dos líderes de Israel (chamados de pastores), as injustiças sociais e a parcialidade do sistema judicial como coisas que não passavam despercebidas por Deus. De fato, o Senhor as condenava veementemente!

A história da Igreja também comprova que muitos cristãos se envolveram na luta pela independência de seus países, pelo fim da escravatura, pelo fim da exploração de mão de obra, entre outras coisas.

Com tantos exemplos bíblicos e históricos, podemos concluir que Deus deseja que Seus filhos sejam ativos como sal e luz na sociedade também no sentido de lutar para que haja paz. Quanto à submissão às autoridades, podemos entender que, desde que suas leis não contradigam as Leis de Deus, que haja igualdade de direitos entre os cidadãos e que as próprias autoridades se reconheçam como o exemplo a seguir, a submissão do cristão deve ser responsável.

Por outro lado, quando são promulgadas leis que promovem confusão social, degradação da família, desigualdade de direitos, injustiças sociais, o filho de Deus deve exercer seu papel profético e denunciar o pecado dos governantes.

A intercessão por nossas autoridades é mandamento bíblico (1 Timóteo 2:1,2). Uma vez que são instituídas por Deus, a oração para que Ele trate com elas sobre seus erros e acertos é uma forma efetiva de abençoar nossa nação. Lembremo-nos do que disse Tiago: “…muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo” (5:16).

Concluímos dizendo que devemos lutar para que leis que promovam a justiça sejam promulgadas. Num Estado democrático, como o brasileiro, as manifestações são formas válidas de protesto e busca por transformação (desde que não envolvam violência e a depredação de patrimônio). Podemos participar de abaixo-assinados, ou na formulação de projetos de lei de iniciativa popular, envolver-nos em reuniões de centros comunitários, em associações de pais e mestres ou nos postos de saúde, tudo em prol da melhoria do atendimento à nossa população.

Devemos evitar a propagação de notícias não verificadas em nossas redes sociais, ou tratar nossas autoridades, por mais corruptas e injustas que sejam, com desrespeito.

Façamos tudo observando a Regra Áurea que Jesus nos deixou: “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles…” (Mateus 7:12). Sempre lembrando que, acima de tudo, representamos uma Pátria superior (Hebreus 11:16).