No livro de Zacarias, há uma divisão entre visões, palavras e advertências. Até o capítulo 6 aparecem oito visões; nos capítulos 7 e 8 temos quatro palavras; e do capítulo 9 ao 14 encontramos duas advertências. Se somarmos as advertências, palavras e visões, podemos sintetizar em três as mensagens que Zacarias entregou àquele povo e que servem para nós, hoje. Vejamos, então, quais são elas. 

A primeira mensagem é que eles deveriam se lembrar do que havia acontecido antes,  para não cometerem os mesmos erros. É interessante  que o nome Zacarias significa “Jeová se lembra”, e a primeira mensagem que ele entrega é justamente uma ação de fazer as pessoas lembrarem de algo. Mas do que, afinal, eles deveriam se lembrar? Observe: “O Senhor muito se irou contra os seus antepassados” (1:2). A mensagem começa lembrando-os de que no passado, com seus precursores, houve manifestação da ira de Deus sobre seus ancestrais. O texto continua dizendo: “Não sejam como os seus antepassados aos quais os antigos profetas proclamaram: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Deixem os seus caminhos declara o Senhor” (1:4). Deus estava relembrando-os de que foi a má conduta de seus antepassados, fora dos padrões determinados por Deus, que acabara por levá-los ao exílio. Eles foram alertados por Deus para que deixassem o seu mau caminho e suas más obras, porém não ouviram e não deram atenção. Por isso o profeta pergunta: “Onde estão agora os seus antepassados? E os profetas, acaso vivem eles para sempre?” (1:5). E, logo em seguida, diz: “Mas as minhas palavras e os meus decretos, que ordenei aos meus servos, os profetas, alcançaram os seus antepassados e os levaram a converter-se e a dizer: ‘O Senhor dos Exércitos fez conosco o que os nossos caminhos e práticas mereciam, conforme prometeu’” (1.6). 

Zacarias relembra o povo que a calamidade que alcançou seus antepassados, isto é, a tragédia que os abateu levando-os cativos para a Babilônia, não era um simples fato isolado, tampouco um simples desenrolar da história. Ela tinha a mão de Deus pesando sobre eles, visto que insistiram em desobedecer e não dar atenção a Deus. A derrota para a Babilônia e o exílio que se seguiu tinham um motivo: a desobediência. Era bom para aquela geração ouvir e olhar a história para entender as consequências amargas de se andar fora dos padrões do Senhor.

O apóstolo Paulo adverte semelhantemente, ao dizer: “Porque não quero, irmãos, que vocês ignorem o fato de que todos os nossos antepassados estiveram sob a nuvem e todos passaram pelo mar. […] Contudo, Deus não se agradou da maioria deles; por isso os seus corpos ficaram espalhados no deserto. Essas coisas ocorreram como exemplos…” (1Co 10:1,5-6). Paulo estava escrevendo para uma igreja a partir da experiência do povo israelita, logo depois que eles saíram do Egito. Apesar de ainda não serem uma nação formada, a vida deles, bem como as consequências das suas escolhas, serviam como alerta para a igreja dos dias de Paulo. Portanto, quer sejam as palavras de Paulo escrevendo aos coríntios, ou as palavras de Zacarias dirigindo-se ao seu público, ambos enfatizam que a história não deve ser ignorada. Olhe para a história. Veja o que acontece com aqueles que se rebelam e não seguem os caminhos de acordo com as orientações de Deus.

Na sexta visão de Zacarias, ele diz: “Levantei novamente os olhos, e vi diante de mim um pergaminho que voava. O anjo me perguntou: O que você está vendo? Respondi: ‘Vejo um pergaminho voando, com nove metros de comprimento por quatro e meio de largura’. Então ele me disse: ‘Nele está escrita a maldição que está sendo derramada sobre toda a terra: porque tanto o ladrão como o que jura falsamente serão expulsos, conforme essa maldição’” (5:1-3). Em outras palavras, no pergaminho estava escrito que eles arcariam com as consequências de sua má conduta. Não há nenhum segredo: pode-se escolher andar ou não no caminho de Deus, porém, não se pode escolher a consequência, independentemente do caminho que for escolhido. Na hora de semear é que se define o que e quanto poderá ser colhido, e não na hora da colheita. A hora da colheita é o resultado natural do que se plantou.

Tanto o profeta Zacarias quanto o apóstolo Paulo exortam o seu público a se lembrar do que aconteceu com aquele povo no passado, quando se envolveu em cobiça, idolatria, imoralidade e murmuração. Esta é uma mensagem que traz a pergunta: “Vale a pena o que você tem feito com sua vida? Você está andando no caminho do Senhor ou tem ignorado e desprezado isso? Não é raro, mas é sempre triste, encontrar pessoas que dizem não saber o porquê de coisas que estão acontecendo em sua vida. Nesses momentos, no meu coração, vem o pensamento de que chegou a hora da colheita delas. Quando Paulo escreve em Romanos 6:21, ele diz: “Que fruto colheram então das coisas das quais agora vocês se envergonham? O fim delas é a morte!”.

Recentemente assisti um programa jornalístico sobre a vida de garotos de programa na França, um país extremamente liberal, com cultura pós-cristã, em que tudo praticamente é aceitável. Achei tristes os testemunhos dos rapazes dizendo coisas como: eu quero esquecer; eu quero passar disso; eu quero ignorar o que eu fiz; eu tenho nojo do que eu fiz. Nenhum deles usou a expressão “culpa”, contudo, eles descreviam o lamento pela vida que tiveram ou que ainda levavam. A conclusão da jornalista sobre o assunto foi de que aqueles rapazes têm um passado do qual querem se livrar, e têm o desejo de um futuro diferente do que foi o passado. Não há outra alternativa: aquilo que você plantar, você colherá, mesmo sendo nojo, culpa, arrependimentos ou lamento. É como um perfeito efeito bumerangue, do qual Zacarias quer que aquele povo se lembre. Alguns eram escravos e idólatras do dinheiro, enquanto outros traziam dívidas. Alguns eram promíscuos, com lares destruídos ou uma vida sem sentido. Zacarias e Paulo revelam que andar longe de Deus, fora de Seus padrões, não tem vantagem alguma. Antes, é tragédia, desgaste e perda de esperança.  Precisamos refletir e lembrar que nossas escolhas de viver longe do plano de Deus não valem a pena.

Por outro lado, apesar de na hora da colheita não ser possível mudar o resultado, é possível começar um novo plantio. Veja o que nos diz o texto: “Por isso diga ao povo: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Voltem para mim, e eu me voltarei para vocês, diz o Senhor dos Exércitos” (1:3). Em todo tempo, Zacarias traz a perspectiva de que Deus pode mudar a história, por mais trágica que ela tenha sido construída. Como Paulo diz em 1Co 6:9-11, podemos dizer que Deus transforma a vida, e é esse o próximo ponto que quero desenvolver.

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