Ana Maria Martins é casada há 32 anos e mãe de 3 filhos. É membro da @republicacwb – Republica Igreja Presbiteriana desde o tempo em que aquela comunidade era congregação. Ali lidera um pequeno grupo de mulheres e coordena a EBD. Já atuou intensamente em atividades de evangelismo nas ruas de Curitiba, de outras cidades e em outros países. É doutora em Letras pela UFPR, professora do Curso de Letras Inglês e chefe do Departamento Acadêmico de Línguas Estrangeiras Modernas da UTFPR.

  • O que alguém formado em letras é/ou pode fazer?

Há muitas possibilidades de atuação em que o profissional de letras pode se inserir. Naturalmente, a formação é objetivada, é pensada para  a sala de aula, então ao sair da graduação, será licenciada em Letras, e, no caso de Ana Maria, licenciada em Letras/Inglês. Esse profissional torna-se habilitado para ministrar aulas de Língua Inglesa. Atualmente, é possível lecionar inglês sem ter a chancela da licenciatura, em cursos livres em outras organizações, mas dentro do ensino regular, como em Instituições Públicas, privadas e escolas do ensino básico, as pessoas precisam possuir a graduação, serem licenciadas para exercer a função.  Isto só é possível através da graduação em licenciatura, é aí que o profissional de letras não perde espaço para ninguém. 

  O profissional de Letras também pode trabalhar em editoras com  revisão de textos. Seus conhecimentos agregados dentro da formação acadêmica dão condições de que ele tenha uma boa revisão e edição de textos. Também é possível  trabalhar com tradução, não em termos de  tradução juramentada, uma vez que exigiria que o tradutor passasse por um concurso, fizesse uma seleção e então  recebesse a licença para assinar traduções juramentadas. Não sendo desse tipo de tradução que exija licença, o profissional de letras pode também trabalhar com tradução. Algo muito comum dentro da formação do acadêmico de Letras/Inglês ou Letras/Português ou de qualquer outra língua estrangeira, é a presença da literatura. A literatura voltada para língua estrangeira ou portuguesa é uma área com grande amplitude, em que é possível se desenvolver bastante, por meio do ensino, mas ainda trazendo a literatura para outras áreas do conhecimento. Há muito acontecendo no curso, fazendo com que o profissional tenha uma área de atuação bastante ampla e, principalmente, garantindo seu espaço no mercado de trabalho.

  • Deus criou o mundo através da palavra, podemos ver isto em João 1:1: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”Enquanto cristãos, qual o peso das palavras que usamos? 

Apesar da salvação ser o maior presente que recebemos do Senhor, temos muitos outros privilégios para além dela. Junto com o cristianismo em nós, junto com a salvação, junto com a figura de Cristo, junto com a nova vida que recebemos. Um dos grandes privilégios que nós cristãos temos, é o fato de conseguirmos ir na direção do Senhor. É podermos buscá-lo e um dos lugares mais acessíveis para o fazermos  é na palavra, ou seja, na leitura, no texto escrito, na linguagem. Então, o que isso faz, além da espiritualidade, da presença de Deus e do sobrenatural,  em nós?  Isto nos ensina a ler. Como cristãos a maior parte de nós é bastante habilitada para a leitura. Há diversos tipos de  leitura, como a  crítica, a que pensa porque em cada versículo, a leitura de estudo e tantas outras. Há aqueles que possuem um exercício contínuo de leitura, de interpretação, de busca, entendimento e compreensão daquilo que é a grande carta de Deus para nós. Isso naturalmente nos desenvolve na linguagem, nos torna melhores leitores, não apenas para  leitura Bíblica, mas para todas as coisas. 

A reforma protestante, além de ter sido um marco para toda história do cristianismo, também determinou em grande escala a cosmovisão dos cristãos como um todo. A reforma exigia que se entrasse em contato com a realidade vivida na época, a realidade escrita de maneira mais autônoma, com maior autoridade e entendimento sobre toda palavra escrita. Então sim, as palavras têm um peso diferente para os cristãos. 

Deus, em sua infinita grandeza, poderia ter escolhido qualquer recurso pensável e impensável para trazer à tona toda a criação, para dar vida ao universo, ainda assim escolheu fazer uso da palavra. Pode ter feito um barulho? Pode ter feito um estardalhaço? Pode ter feito luz? Pode ter gerado um barulhão? Pode! Pode haver coisas nesta descrição que não estão propriamente ditas, mas o que está dito  é que o Senhor criou com a palavra. Ao passo que ele disse “haja luz”, houve luz. Ao passo que verbalizou, tudo foi criado.

Então, naturalmente, se nós entendemos que nós somos a imagem  e semelhança de Deus, nós somos seus filhos, temos o seu DNA e somos co-herdeiros com Cristo como diz a palavra de Deus. O Senhor imprimiu em nós características que Ele mesmo tem. Se há poder na palavra proferida pelo Senhor, também há poder na palavra que nós proferimos. 

Há, portanto, um peso maior e mais significativo em relação à palavra, não apenas para nós, mas também para quem nos ouve. Há um aspecto divino em nos movermos através do Espírito Santo e testemunharmos do Senhor com nossas palavras. Há manifestação do sobrenatural que nossos olhos não veem, mas que está presente no caminho percorrido pelas palavras que saem de nossa boca até chegarem aos ouvidos de quem nos está escutando. Não somente aos ouvidos, mas também ao penetrar seu coração e mente. 

Podemos encontrar nas narrativas bíblicas Jesus realizando curas pura e simplesmente através da palavra. Quando falamos de palavras em termos de estrutura, precisamos entender o valor da linguagem. A mesma linguagem usada por Deus para criar todas as coisas é também usada por Cristo para realizar milagres e maravilhas. Além disto, todos aqueles que foram curados e procuraram pela pessoa de Jesus no Novo Testamento, fizeram uso da palavra, com uma frase chegaram ao conhecimento de quem é Jesus e também creram naquilo que lhes foi dito. 

Quando pensamos sobre a relação da profissão percebemos quão importante são os profissionais que se dedicam ao estudo e ensino de palavras. É necessário reconhecermos que através de uma linguagem melhor desenvolvida, muitas coisas podem ser melhoradas na nossa vida. Principalmente ao explorarmos a linguagem e a submetermos a Deus, nos relacionando com Ele de maneira verbal. Nossa fé é modificada quando usamos palavras ao invés de mantermos orações silenciosas apenas dentro de nossa mente. Precisamos entender que linguagens e palavras são o formato que Deus escolheu para se relacionar conosco, ou seja, é necessário, além de compreender, desenvolvê-las da melhor maneira possível. 

  • Na sua área de trabalho, você já teve alguma experiência com Deus que lhe marcou profundamente? Algum significado de alguma palavra em outra língua, etc? 

Eu não consigo me lembrar de algo relacionado a alguma palavra pontualmente, mas o que é sempre muito significativo para mim é o ambiente que sua profissão lhe proporcionou estar. O seu relacionamento com os alunos, desde sua necessidade em ensiná-los até a necessidade deles em aprender mais e se conectar mais, este entrelaçamento revela muito Deus para mim.

Eu não queria ser professora, não tinha esse plano quando entrei na faculdade. Morava no interior do Paraná, sou formada pela Universidade Estadual de Maringá e entrei no curso com uma pretensão não muito comum. Tinha um preconceito grande com a licenciatura, estava no grupo que achava que a licenciatura era considerada um subcurso. Queria fazer letras e ser intérprete, mas era o plano do Senhor me levar para a sala de aula. Com seis meses de faculdade, já estava em uma sala de aula em uma franquia de escola de inglês que me envolvi aos 19 anos junto com meu marido, tinha uma franquia de  curso livre na cidade em que morávamos. No primeiro ano da faculdade, um bebê para nascer e já estava dentro da sala de aula para nunca mais sair. Ana reconhece que é nesse lugar que Deus fala com ela. É onde ela valoriza suas relações e aprende mais do Senhor sobre sua vulnerabilidade e dependência Dele. É dentro da sala de aula onde pude expressar a graça e a misericórdia que Deus derrama sobre mim e assim pude estender isto para meus alunos. Recebi do Senhor e do jeito que Ele dá, existe a intenção e vontade em meu coração e em alguma medida, dentro de minha limitação humana, também fazer o que o Senhor faz. É na sala de aula, onde eu fui colocada, sem pretensão, e que marca muito minha caminhada com Deus.

  • Qual a diferença entre ser um professor cristão e um não cristão? 

Isto precisa acontecer na mesma medida como em qualquer outra situação. Como deve se comportar um eleitor cistão em oposição a um eleitor não cristão? Como deve se comportar um torcedor de time cristão em comparação a um torcedor de time que não é cristão? Prefiro não especificar conteúdos que sejam específicos quando relacionados à profissão, mas preciso ser uma professora correta, amorosa e  responsável uma vez que tenho um compromisso com o Senhor de não envergonhar o evangelho. Se eu trato os seus compromissos de forma relaxada, se trato os alunos de forma grosseira, não cumpro  os meus prazos na entrega dos documentos, se sou cruel na correção de minhas avaliações na interpretação daquilo que meus alunos fizeram, se não cuido da ética profissional enquanto estou trabalhando a formação de futuros profissionais e não os alerta para a importância disso dentro das escolas em que vão trabalhar, se sou negligente com aquilo no qual foi designada dentro da minha profissão em qualquer que seja, eu não estou sendo aquilo que o Senhor a chamou e vocacionou a fazer. Deus tem investido tanto na minha vida, eu estou há tanto tempo dentro da igreja sendo ministrada de banco em banco, de escola dominical em escola dominical, acampamento, culto, retiro, estamos recebendo tanto o tempo todo. A diferença precisa estar naquilo que o Senhor nos chamou para fazer. Ele nos chamou para fazer tudo com a maior excelência possível, para a Glória de Seu nome. A diferença do profissional de letras cristão, da professora e professor cristão, precisa ser com base na cosmovisão que ele tem de quem Deus é, quem ele é, quem o Reino é, e assim manter  o compromisso de fazer as coisas de forma agradável e excelente ao Senhor.

  • Como fazer para que nossas profissões sejam para a Glória de Deus?

É necessário compreender muito a respeito de cosmovisão cristã para podermos enxergar o todo. Eu considero essencial compreender a cosmovisão de nossas doutrinas, igrejas locais e ministérios nos quais atuamos. De fato, precisamos entender qual é a cosmovisão cristã a qual estamos ancorados.     

Eu enxergo minha profissão como um ato para a Glória de Deus, não somente minha atuação enquanto profissional, mas também em tudo o que faz como um todo. Sou uma mãe para Glória de Deus, uma esposa, uma cidadã, uma professora, tudo que me comprometo a fazer o faço para a Glória de Deus. Eu não só tenho um recurso: buscar ao Senhor. Eu não somente faço meus devocionais, ouço mais o Senhor ao invés de somente falar. Busco entender mais da palavra, ter mais intimidade com Deus, dar espaço para que os dons espirituais que o Senhor deu sejam desenvolvidos. Busco também mais conhecimento, não apenas sobre as questões históricas e contextuais das escrituras, mas também sobre as coisas sobrenaturais do Senhor, uma vez que isto aumenta a minha sensibilidade para as coisas divinas. Quanto mais sabemos sobre o Senhor, mais sabemos a respeito de tudo. Jesus estando em Cesareia de Filipe questionou seus discípulos a respeito de quem Ele era. Pedro, ao revelar, através do poder do Espírito Santo, quem Jesus de fato era, também recebeu do Messias uma identidade fundamentada. Ao descobrirmos quem Cristo é, descobrimos quem somos. Eu entendi que antes de ser professora para a Glória de Deus, eu preciso buscá-lo como a nenhum outro. É através de conhecimento e intimidade com o Senhor que entendemos que podemos ser tudo para a Sua Glória.  

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