Baixinha, de óculos, dentuça, com aparelho nos dentes, cabelos sempre presos, sem qualquer vaidade e que se afundava nos livros. Não, não é uma personagem de filme ou seriado de TV. Sou eu na época da escola.

Aos 14 anos, ingressei no Ensino Médio. Meus pais me matricularam em uma escola próxima à nossa casa. Não era onde eu queria estudar, mas não protestei. Nos anos anteriores, tinha ouvido de colegas de turma comentários maldosos quanto à minha aparência. Talvez uma nova escola me trouxesse novos horizontes. Mas não havia sol nesses horizontes.

Nessa escola, os colegas de turma não só se reuniam para me dar apelidos, como também convocavam a escola inteira para ajudar no processo. Um deles, em especial, se tornou praticamente o meu nome, pois só me identificavam através dele: Betty, a feia. Essa era uma telenovela em que a personagem principal era uma ingênua, mas inteligente secretária que usava óculos, aparelho nos dentes, penteado cafona e não se ligava em vaidades.

Eu passava pelos colegas olhando para o chão na tentativa de ficar invisível, mas essa era mais uma oportunidade de eles me humilharem. Sentava na última carteira no canto mais escondido da sala, pois não queria ser notada. E me agarrava ainda mais aos livros, minha única companhia. Eu não tinha amigos em lugar algum.

Eu chegava em casa muito triste, falava que era ridicularizada na escola, mas meus pais só me falavam para ignorar e orar pelos agressores. Era tão humilhante que nem contei sobre o apelido.

Sem o apoio de meus pais, comecei a me afastar deles. Em casa, me isolava no quarto e estava sempre mal-humorada, o que agravou o nosso relacionamento. Eles não entendiam minha dor. Com essa frustração, a depressão encontrou terra fértil. Cada piora no meu estado de espírito irritava mais a minha mãe, que achava ser rebeldia da adolescência, e isso me enfurecia.

A minha salvação desse poço foi o próprio Deus. Eu me agarrei a Ele, chorei por Seu socorro e para que meus pais me compreendessem. Ele foi meu único Amigo e me deu a graça de mudar de escola ao findar o ano.

Eu gostaria de ter contado com meus pais. Não ansiava não que eles fossem à escola para uma conversa com os responsáveis. Eu seria atacada por isso e, no fundo, sabia que eles não podiam impedir a hostilização. Tudo que eu queria era o apoio de meus pais; que o meu lar fosse o meu lugar de paz e que me dissessem que eu tinha muito valor, já que na escola até minhas excelentes notas eram motivo de ridículo; que meus pais separassem um tempo no fim do dia para conversar comigo. Eu os amo e eles são pais excelentes, mas falharam nesse período da minha vida: o bullying.

Esse assunto é tão sério que o governo criou o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Lei 13185/15), que não visa punir os agressores, mas tornar um ambiente hostil em um ambiente mais pacato e estimular a cultura de paz e de empatia.

Os pais devem observar seus filhos para detectar algo diferente no seu comportamento por menor que seja. No começo do bullying, as mudanças nas atitudes e no humor ainda são sutis.

Rispidez num cenário de recusa em ir à escola, solitude, melancolia, irritação, vergonha, ansiedade, mudanças de sono e apetite e piora no rendimento escolar não ajuda. Esse é o momento de ser amigo do filho e perguntar-lhe: “O que está acontecendo? Como posso te ajudar?”.

Ao constatar que seu filho sofre bullying, é preciso tranquilidade para ouvir sua história, enxergar sua dor e compreender suas emoções. É muito importante que haja diálogo e um ambiente seguro criado por uma relação de confiança para encontrar meios de se enfrentar a situação. Uma boa estrutura emocional por parte dos pais ajuda a família a lidar com esse revés. Aconselhar que ele revide para se defender é ensiná-lo a reproduzir o que o faz sofrer.

O melhor jeito de acudir o seu filho é desconstruir o que os agressores dizem. Em casa, reafirmem o quanto ele é importante e amado; realizem atividades em família para que ele não se afaste e cuidem para que algumas dessas atividades evidenciem suas qualidades, habilidades e também vulnerabilidades, pois elas fazem dele quem ele é. Dar ênfase aos pontos fortes tornará as fragilidades menos relevantes. Deixe que ele também veja as suas fragilidades para que entenda que ninguém é perfeito.

O mais importante é que seu filho saiba que não está sozinho e se sinta seguro para buscar amparo na família. Tudo o que ele quer ouvir é: “Como podemos te ajudar hoje, filho?”.

(História real de uma colaboradora de Ministérios Pão Diário).

 

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