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Articles by John Blase

A última palavra

Admito que eu tinha uma certa queda por Sara na época de escola. Sua risada era maravilhosa e não tenho certeza se ela sabia dessa minha paixão, mas suspeito que sim. Após a formatura, perdi o contato com ela e seguimos em direções diferentes, como muitas vezes acontece. Continuo em contato com alguns daquela turma de formandos em fóruns online e fiquei muito triste quando soube que Sara morreu. Refleti sobre a direção que a vida dela tinha tomado ao longo dos anos. Quanto mais idoso fico mais perco amigos e familiares. No entanto, muitos de nós temos a tendência de evitar falar sobre isso.

Uma razão para cantar

Para um homem que vive por uma lei ou código, por assim dizer, parecia um grande fracasso. O que eu deveria fazer? Bem, adormeci. Nossos filhos têm um toque de recolher quando saem à noite. Eles são bons filhos, mas eu os espero até ouvir suas mãos virarem a maçaneta da porta. Quero certificar-me de que estão seguros em casa. Não preciso agir assim; é minha escolha. No entanto, uma noite acordei com a minha filha me dizendo com um sorriso: “Pai, estou em segurança. Você deveria ir para a cama”. Apesar de nossas melhores intenções, às vezes os pais dormem em seus postos de espera. Foi muito humilhante e também muito humano.

Algo para se gabar

O que significa ser real? Essa é a grande questão respondida no clássico livro infantil O coelho de veludo (Ed. Poetisa, 2015). Essa é a história dos brinquedos numa creche e da jornada do coelho de veludo para se tornar real, permitindo-se ser amado por uma criança. Um dos outros brinquedos é o velho e sábio Skin Horse. Ele “tinha visto uma longa sucessão de brinquedos mecânicos chegarem para se gabar e aos poucos falharem… e serem esquecidos”. Esses brinquedos e seus sons pareciam impressionantes, mas o orgulho acabava e era inútil quando se tratava de amor.

A prática do que pregamos

O pastor e escritor Eugene Peterson participou de uma palestra do médico suíço e respeitado pastor conselheiro Paul Tournier. Peterson lera os trabalhos do médico e admirava sua abordagem sobre a cura. A palestra causou-lhe profunda impressão. Enquanto ouvia, tinha a sensação de que Tournier praticava o que falava e falava o que praticava. Peterson escolheu a palavra congruência para descrever a sua experiência. “É a melhor palavra que posso sugerir”.

Não perca a chance

“Nunca perca a chance de mostrar a Lua aos seus bebês!”, ela disse. Antes de nosso culto de oração do meio da semana começar, alguns comentaram sobre a Lua cheia da noite anterior. A Lua cheia no horizonte era impressionante. Dona Iolete, já idosa, era uma admiradora da grande criação de Deus. Ela sabia que minha esposa e eu tínhamos dois filhos ainda em casa nessa época e queria me ajudar a educá-los de maneira que valesse a pena. Nunca perca a chance de mostrar a Lua aos seus bebês!

Memorial da bondade

Cresci numa igreja cheia de tradições. Uma delas ocorria quando um membro da família ou amigo amado morria. Muitas vezes, um banco de igreja ou uma pintura no corredor aparecia pouco depois com uma placa de latão afixada: “Em memória de…” com o nome do falecido gravado, lembrando-nos dessa pessoa. Sempre gostei desses memoriais e ainda gosto. No entanto, sempre me fazem parar porque são objetos estáticos e inanimados, literalmente, algo “não vivo”. Há uma maneira de adicionar “vida” ao memorial?

Consciência situacional

Minha família estava em Roma para o Natal. Não me lembro de ter visto mais pessoas aglomeradas num único lugar. Enquanto andávamos pela multidão para ver o Vaticano e o Coliseu, eu enfatizava para aos meus filhos a prática da “consciência situacional” — ter atenção ao lugar onde estamos, a quem está ao nosso redor e ao que está acontecendo. Vivemos numa época em que o mundo não é um local seguro. E, com o uso de celulares e fones de ouvido, as crianças (e os adultos também) nem sempre estão atentos ao seu entorno.

Esperança restaurada

O Sol nasce no Leste? O céu é azul? O oceano é salgado? O peso atômico do cobalto é 58,9? Tudo bem; essa última pergunta, talvez você só saiba se for um nerd da ciência ou viciado em palavras-cruzadas. Mas as outras perguntas têm uma resposta óbvia: sim! Na realidade, perguntas como estas normalmente são mescladas com uma pitada de sarcasmo.

Aqui conosco

Ela olhava fixamente para a prateleira superior na qual se encontravam os vidros com molho. Permaneci ao seu lado por um ou dois minutos olhando a mesma prateleira, tentando decidir. Mas ela parecia alheia à minha presença, perdida na situação. Não tenho problemas com prateleiras superiores, porque sou um homem alto, mas ela era mais baixa. Então lhe ofereci ajuda e, surpresa, ela me disse: “Nem o vi! Sim, quero ajuda, por favor”.

Mande uma carta

Como a maioria das crianças de 4 anos, Rúbia amava correr, cantar, dançar e brincar. Mas ela começou a se queixar de dor nos joelhos. Seus pais a levaram para fazer exames, e o resultado foi chocante: um diagnóstico de câncer no estágio 4. Rúbia rapidamente deu entrada no hospital.

Ouvidos para ouvir

Ofereceram à atriz Diane Kruger um papel que a tornaria um nome conhecido. Mas ela deveria interpretar uma jovem esposa e mãe que enfrentava a perda do marido e do filho. Ela nunca havia sofrido uma perda tão grande na vida real e não sabia se conseguiria ser fiel às emoções da personagem. Diane aceitou o papel e começou a frequentar reuniões de apoio para pessoas que vivenciavam a dor extrema do luto.

Jesus está bem atrás de você

Já que minha filha tinha ficado pronta para a escola um pouco antes, ela me perguntou se poderíamos parar numa cafeteria. Eu concordei. Quando chegamos à faixa da entrega rápida, falei: “Que tal espalhar um pouco de alegria nesta manhã?”. Ela respondeu: “Claro”.